São tantos livros e você não sabe nem por onde começar? Dê uma olhada nas dicas da nossa equipe!

Vivian Codogno

Vivian Codogno - Imprensa da Companhia das Letras

Neste livro, a autora narra a história de Sethe, uma ex-escrava que, após fugir grávida de seu antigo cativeiro, fixa moradia em Cincinnati, no sul dos Estados Unidos, com sua filha recém-nascida. É um retrato do país no período da abolição, quando as feridas do trabalho forçado habitavam de forma muito presente as narrativas da população negra norte americana, e pautavam as relações entre as pessoas e o ambiente em que viviam. Toni Morrison parte de uma trágica história encontrada por ela em um jornal antigo e expõe traumas e cicatrizes deixadas por anos de exploração e sofrimento dos personagens. É daquelas histórias que só poderiam ser escritas por uma mulher, e Toni explora com excelência sutilezas do comportamento feminino com as quais nos identificamos o tempo todo. Amada rendeu a Toni Morrison o prêmio Pulitzer e a autora, falecida em 2019, foi a primeira escritora negra a vencer o Nobel de Literatura, em 1993.

Julia Schwarcz

Julia Schwarcz - Editorial da Companhia das Letras

Sou uma grande fã de audiolivros, especialmente quando tenho a oportunidade de ouvir os próprios autores narrando suas histórias. Tive essa chance com "Na minha pele", um dos livros mais bonitos que li nos últimos tempos, com reflexões cheias de emoção, que me fizeram pensar e aprender demais. Feliz o momento em que aceitei o convite feito pelo Lázaro no começo do livro e embarquei nessa viagem, que começa lá na minúscula ilha de Pati (com seus pouco mais de 200 habitantes), onde ele nasceu, e que me levou para tantos lugares, perpassando a vida de tantos personagens. Passei muitas horas na companhia do Lázaro, ouvindo as várias vozes que ele reuniu nesta jornada, e juntos vestimos a mesma pele, ou ainda muitas peles, uma experiência que nunca vou esquecer.

Latoya Mendes

Latoya Mendes - Negócios digitais da Companhia das Letras

O objetivo deste pequeno manual é apresentar alguns caminhos de reflexão — recuperando contribuições importantes de diversos autores e autoras sobre o tema — para quem quiser aprofundar sua percepção de discriminações estruturais e assumir a responsabilidade pela transformação de nossa sociedade. Afinal, o antirracismo é uma luta de todas e todos.

Quezia Cleto

Quezia Cleto - Editorial da Companhia das Letras

"Sal, gordura, ácido, calor" é o presente perfeito para todo mundo que tem fome na sua vida. Não importa se a pessoa já for experiente: esse livro é cheio de dicas inovadoras até para quem sabe de (quase) tudo, além de ter uma escrita deliciosa. E para quem mal sabe fritar ovo, este livro ensina o básico de uma forma divertida, para garantir a confiança na cozinha.

Camila Berto

Camila Berto - Editorial da Companhia das Letras

Este é um dos meus livros preferidos e eu não me canso de recomendá-lo! Escrito no formato de uma carta, "Carta a D." é uma verdadeira declaração de amor do filósofo André Gorz para Dorine, sua companheira por quase seis décadas, em que ele analisa a importância do relacionamento dos dois e também procura fazer uma autocrítica em relação aos erros do passado. Já perdi a conta de quantas vezes o li – e toda vez me emociono, sobretudo quando lembro do fim dos dois: Dorine sofria de uma doença degenerativa incurável, e os dois acabam cometendo suicídio juntos no fim de 2007. Conteúdo à parte, impossível não mencionar a delicadeza do projeto gráfico, que inclui uma bela luva em formato de envelope. Uma leitura absolutamente inesquecível!

Luara França

Luara França - Editorial da Companhia das Letras

Um romance com mais de 900 páginas onde absolutamente nada está sobrando. Já li esse livro algumas vezes, e ele sempre me deixa impressionada. A habilidade de Tolstói em fazer uma narrativa dupla é inexplicável. Enquanto vamos lendo sobre a história de Anna Kariênina, que se separa do marido em busca de uma vida diferente e mais... própria, acompanhamos também a história de Liévin, um homem em busca da verdade, ou de um tipo possível de verdade que apazigue sua angústia diante da vida. Sei que pode parecer difícil encarar um livro tão longo, mas é um tipo de leitura capaz de mudar para sempre como um leitor se aproxima de um romance.

Max Santos

Max Santos - Marketing da Companhia das Letras

"O quarto de Giovanni" é um livro sobre desejo, amor, relações, reflexões... vivido numa Paris fervilhante, com toques autobiográficos do grande mestre James Baldwin. Um texto arrebatador que se transformou num dos clássicos da literatura gay.

Luiz Schwarcz

Luiz Schwarcz

Amós Oz é dos autores símbolo da Companhia das Letras. Um homem onde a generosidade literária não tem limites. Um defensor da paz e da arte, um Tchékhov do século vinte. Nele a grandeza da humanidade é retratada através de detalhes tão pequenos quanto universais. Judas, um livro sobre o verdadeiro sentido da traição, é também uma pungente história de amor.

Raíssa Velten

Raíssa Velten - Marketing da Companhia das Letras

A minha primeira experiência escutando um audiobook foi arrebatadora. Escolhi “Não me abandone jamais”, de Kazuo Ishiguro, narrado por Luciana Caruso. Nele, a protagonista Kathy H rememora toda a sua vida, da infância ao tempo presente, quando, aos 31 anos, está prestes a encerrar sua carreira como “cuidadora”. Ao contar sobre o internato onde viveu quando criança e adolescente, Kathy nos transporta para os bosques e dormitórios, para as brincadeiras lúdicas, para o seu processo de amadurecimento. O ambiente acolhedor se transforma, no entanto, quando aos poucos percebemos – junto à protagonista – a dura verdade que a cerca: Kathy, assim como todos os alunos que ali vivem, é um clone. Sua existência é reduzida a caminhos que levam ao fim. Doar órgãos até “concluir”. Confesso que não sei se o formato foi o grande trunfo, mas me vi imersa e envolvida com a narrativa de tal forma que escutei o livro por horas a fio. Fui me angustiando ao ficar a par dos prazeres, alegrias e desejos de Kathy. Ao me apaixonar pela vida como ela o fazia. E ao entender que, apesar de toda a sua humanidade, a sua existência – e a de tantos que amou – era apenas funcional.

Paula Lemos

Paula Lemos - Editorial da Companhia das Letras

Um dos clássicos do gênero terror e um dos mais aclamados de Stephen King, "O cemitério" é um livro essencial. Conta a história de Louis Creed, um jovem médico que se muda com a família para uma cidadezinha no Maine. Em um bosque perto de sua nova casa, ele encontra um cemitério onde crianças de várias gerações costumavam enterrar seus animais de estimação. Para além desses pequenos túmulos, há outro cemitério místico e sagrado que traz de volta à vida qualquer ser vivo que é enterrado lá; mas nenhum volta exatamente como era antes. Ao mesmo tempo em que envolve o leitor na tensão da narrativa, o livro também traz muitas reflexões sobre a vida e a morte, tornando-se impossível de largar.

Ricardo Teperman

Ricardo Teperman - Editorial da Companhia das Letras

Não é incomum que grandes autores, em um momento avançado de suas carreiras, escrevam um livro de memórias da infância, mais ou menos romanceadas. Romain Gary e “A promessa do amanhecer”, Murilo Mendes e “A idade do serrote”, Mario Vargas Llosa e “Peixe na água” ou “Tia Julia e o escrevinhador” são alguns exemplos, como também o maravilhoso livro de Amós Oz, “De amor e trevas”, publicado quando o autor já tinha mais de 60 anos. A infância de Oz transcorre nos anos imediatamente anteriores e posteriores à criação do Estado de Israel. No livro, a moldura histórica e política é tão poderosa quanto seu tecido emocional, em que acompanhamos a história de um filho único que vê a mãe deprimir ao ponto de se suicidar quando Oz tinha apenas 12 anos. Um livro inesquecível.

Bruna Brito

Bruna Brito - Projetos digitais da Companhia das Letras

Natalia Ginzburg é uma das maiores escritoras do século XX, e um prato cheio para quem gosta de literatura italiana! Nos anos 1930, após a criação de leis raciais na Europa, muitas famílias foram obrigadas a deixar seu lar e enfrentar a guerra que veio logo depois. É nesse cenário que se inscrevem as memórias de Ginzburg e de sua família judia. Léxico familiar é um livro único, um olhar muito delicado sobre como se formam as memórias que temos da nossa família, sobre o passar do tempo e também resistência diante de momentos difíceis.

Paulo Santana

Paulo Santana - Marketing da Companhia das Letras

Vencedora do Prêmio Oceanos 2018, Marília Garcia é uma das vozes mais instigantes da poesia brasileira contemporânea. Com poemas que se aproximam do ensaio e da performance, sempre atentos ao tempo, à observação e à escuta, Câmera lenta é uma fatia de uma produção poética em constante movimento. No mundo em que vivemos, cheio de ruídos e tensões, um dos poemas de Câmera lenta nos diz: “se a gente prestar atenção e fizer silêncio/ — se a gente prestar atenção e fizer/ silêncio —/ pode ser que ouça/ alguma mensagem/ perdida no ar.”

Kyara Castro

Kyara Castro - Marketing da Companhia das Letras

Um quadrinho muito bom e com uma história muito interessante, esse livro é gostoso de ler e bem fácil. Nele se conta a história de Katie, uma chef muito talentosa e com vários planos para a sua vida, mas tudo começa a dar errado. Katie perde uma chance de negócio, seu relacionamento entra em crise, temos aqui todos os problemas possíveis de uma jovem adulta. Nesse momento, uma misteriosa garota aparece com uma receita perfeita para uma segunda chance, com isso começa um grande “repeteco” na vida de Katie, em que ela precisa saber lidar com as consequências das suas novas escolhas, mesmo quando as faz com as melhores intenções.

Fernanda Pantoja

Fernanda Pantoja - Editorial da Companhia das Letras

Da autora da original biografia de Montaigne, Como viver, "No café existencialista" é uma saborosa mistura de gêneros: história, biografia, filosofia, memórias, política... E é um retrato magnífico de uma época de grande efervescência cultural, na qual Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Albert Camus, Martin Heidegger, Edmund Husserl, entre outros, são personagens influentes que mudaram para sempre nosso modo de pensar. Um livro imperdível sobre o existencialismo para ser lido muitas vezes.

Betania Santos

Betania Santos - Comercial da Companhia das Letras

Nesse romance de "cavalaria às avessas", Calvino nos conta as aventuras do cavaleiro Agilulfo, paladino de Carlos Magno, e defensor de "donzelas indefesas". Quando o principal feito heroico do cavaleiro é posto em dúvida, Agilulfo empreende uma incrível viagem em busca das provas para salvar sua reputação. E como se todo esse enredo já não fosse suficiente para construir uma história incrível e divertidíssima, descobrimos que dentro de sua impecável armadura branca, não há ninguém! Além da engraçada paródia aos romances de cavalaria, Calvino nos presenteia com personagens fascinantes, provocando uma reflexão sobre nossa própria existência.

Flávio Fernandes

Flávio Fernandes - TI da Companhia das Letras

Políticos são mais propensos à moderação quando se aceitam uns aos outros como rivais legítimos, e aqueles que não encaram os oponentes como subversivos serão menos tentados a recorrer a violações da norma para mantê-los longe do poder. Atos de reserva – por exemplo, um Senado controlado por republicanos aprovando a indicação de um presidente democrata para a Suprema Corte – reforçarão a crença de cada partido de que o outro lado é tolerável, promovendo um círculo virtuoso.

Antonio Castro

Antonio Castro - Editorial da Companhia das Letras

Eu gosto de livros de contos porque eles reúnem todo um universo, e um mesmo livro pode muitas vezes te fazer rir e chorar com histórias diferentes. Este livro, da autora norte-americana Lucia Berlin, cumpre bem esse papel. As histórias são das mais variadas, a maior parte girando em torno de vivências femininas, muitas descritas de forma crua, que movem o leitor através das páginas. Meus contos preferidos são "Boa e má" e "Aqui é sábado".

Lilia Zambon

Lilia Zambon - Marketing da Companhia das Letras

"A Casa" de Vinicius de Moraes é um clássico perfeito para todas as crianças, inclusive as mais pequeninas. Elas reconhecem a história com facilidade por conta da música, o formato chama a atenção e as páginas cartonadas permitem que elas virem as páginas e interajam com o livro com mais facilidade, sem estragar. Um ótimo presente!

Marina Pastore

Marina Pastore - Projetos Digitais da Companhia das Letras

A Lygia Fagundes Telles é um dos maiores nomes da literatura brasileira contemporânea, e essa edição lindíssima reúne seis dos seus livros, publicados originalmente entre 1970 e 2002, e mais alguns contos esparsos. Ela escreve de um jeito tão delicioso que, apesar de o livro ter mais de 700 páginas, fico economizando para não acabar! Tem sido o meu livro de cabeceira, para saborear aos pouquinhos.

Enrico Weg

Enrico Weg - Marketing da Companhia das Letras

"Desvario", do israelense David Grossman, apresenta duas novelas do autor. Na primeira, que dá nome ao livro, um homem narra à cunhada os detalhes do suposto caso extraconjugal que sua esposa sustenta por mais de 10 anos. Na segunda, “No corpo eu entendo”, uma escritora lê para a mãe enferma um conto autoral cujo personagem principal é a própria ouvinte. Este livro me deixou completamente paralisado. Para mim, são duas histórias sobre como desejo e fantasia se misturam para infestar os locais onde a solidão habita, histórias sobre como o ato de narrar é fundamental para filtrarmos e completarmos nossa memória, sem escapar, porém, da distorção. Talvez o próprio título traduza da melhor forma o que senti lendo o livro: um delírio incomparável. E, por fim, a obra tem uma das minhas capas preferidas da editora.

Ana Maria

Ana Maria - Atendimento ao leitor da Companhia das Letras

“Vermelho, branco e sangue azul”, de Casey McQuiston conta a história do Alex, o filho da presidenta dos Estados Unidos. Durante um casamento real, Alex encontra Henry, o príncipe da Inglaterra, e em um desentendimento os dois caem em cima do bolo de casamento caríssimo. Esse acontecimento irá mudar a vida dos dois, de inimigos eles se tornarão amigos e depois mais do que amigos. O livro é recheado de cenas engraçadas (eu ri alto no transporte público mais de uma vez) e momentos muito fofos e românticos. É o livro perfeito para fugir um pouco da realidade e descansar a mente, deixa o coração quentinho. Vale muito a pena!“

Chiara Provenza

Chiara Provenza - Editorial da Companhia das Letras

Prestes a completar oitenta anos, a lendária estrela de Hollywood, Evelyn Hugo, decidiu contar a verdade por trás de cada um de seus filmes, escândalos e – sete – casamentos. Mas ela faz questão que sua biografia seja escrita por Monique Grant, uma jornalista desconhecida de Nova York. Sem entender muito bem, Monique topa escrever o livro que com certeza se tornaria um best-seller e, no decorrer da história, ela começa a perceber que nada na vida de Evelyn Hugo acontece por acaso, muito pelo contrário: Evelyn sempre esteve no controle de tudo. Nesta mistura de biografia com ficção, Taylor Jenkins Reid presenteia o leitor com personagens complexos, cenários deslumbrantes e uma história de tirar o fôlego. Ao final da leitura, fica difícil acreditar que Evelyn Hugo nunca existiu.

Otavio Marques da Costa

Otavio Marques da Costa - Editorial da Companhia das Letras

As observações argutas de um narrador desiludido e um retrato sem concessões da descolonização.

Helen Claro

Helen Claro - Negócios digitais da Companhia das Letras

"Aqui", de Richard McGuire, é um dos meus livros preferidos. É um quadrinho que mostra a história de um mesmo cômodo de uma casa, por centenas e milhares de anos. É um livro lindo (colorido e capa dura) e muito comovente. Quando li pela primeira vez, entrei na maior reflexão sobre as nossas existências no mundo. Desde então, tem sido o livro que mais dou de presente aos meus amigos.

Thais Britto

Thais Britto - Imprensa da Companhia das Letras

"Americanah", da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, é o meu livro favorito dos últimos anos. O fio condutor do livro é a história de amor da protagonista, Ifemelu, com seu namorado de adolescência, Obinze, que começa na Nigéria. Mas o enredo se desenrola em muitas frentes, os personagens se separam, cada um vai parar num lugar no mundo e a Ifemelu se descobre como uma mulher negra e imigrante quando vai morar nos Estados Unidos. As reflexões que a Chimamanda faz sobre machismo e racismo são fantásticas.

Julia Bussius

Julia Bussius - Editorial da Companhia das Letras

O livro é uma pérola e a melhor porta de entrada para quem quer ler a obra do Sebald, um escritor alemão excepcional, talvez um dos melhores da segunda metade do século XX, falecido precocemente em 2001. O livro traz quatro narrativas curtas sobre personagens singulares, que por alguma razão precisaram se deslocar de sua terra natal, a Alemanha, assombrada então pelo nazismo. O tema da memória é fundamental para esse autor e o narrador de suas histórias se confunde com ele mesmo, entremeando relatos de pessoas, fotografias antigas e belíssimas reflexões sobre a história recente e os traumas que carregamos. Recomendo ler em seguida o precioso romance Austerlitz, assim como os livros Vertigem e Os anéis de Saturno.

Mauro Gaspar

Mauro Gaspar - Editorial da Companhia das Letras

"Um apartamento em Urano" arrebata o leitor desde sua introdução, espécie de manifesto em defesa da liberdade plena de corpos, desejos e subjetividades. Um dos pensadores mais importantes e radicais da atualidade, referência central para os estudos queer e de gênero, Preciado é um escritor brilhante e sua voz tem o poder de convocar todos os que creem em uma vida não fascista e se dispõem a lutar por ela. Essas “crônicas da travessia” — cerca de setenta artigos curtos escritos entre 2010 e 2018 para o Libératión e outras mídias europeias — tratam das mutações políticas, culturais e sexuais contemporâneas, e também da transição de gênero do autor. Escritas com uma lucidez inconformista e furiosa, podem ser lidas também como um diário dessas transformações pessoais e coletivas.

Marina Castro

Marina Castro - Editorial da Companhia das Letras

"Herdeiras do mar" é um livro devastador que conta um episódio pouco conhecido da Segunda Guerra Mundial. A história começa na Coreia do Sul durante a ocupação japonesa, quando Hana, uma haenyeo, é sequestrada por um soldado japonês e levada para a Manchúria para servir como “mulher de conforto” para as tropas. Quase setenta anos depois, Emi ainda não desistiu de encontrar sua irmã mais velha e não consegue esquecer o sacrifício que ela fez para protegê-la. Este romance histórico é ao mesmo tempo triste e inspirador, emocionante e envolvente. A história de Hana e Emi nos cativa desde o começo e não conseguimos parar de ler enquanto não descobrimos o que aconteceu com elas. E o mais impactante é saber que vários elementos dessa história são reais e que várias Hanas e Emis podem ter existido. Imperdível.

Daniela Duarte

Daniela Duarte - Editorial da Companhia das Letras

Primeiro romance da americana Carys Davies, "Oeste" é um livro curtinho, mas muito impactante. Conta a história de Cy Bellman, que sai de sua humilde fazenda na Pensilvânia para localizar gigantescos animais supostamente extintos, deixando para trás sua filha Bess, que fica aos cuidados da severa tia Julie. O livro conta a jornada desses personagens durante os dois anos em que Cy fica fora de casa, se embrenhando cada vez mais no Oeste, ao lado de um guia de origem shawnee, e sem falarem o idioma um do outro. Enquanto isso, Bess tenta sobreviver num ambiente eminentemente masculino e hostil. Li esse livro quando foi lançado, e as cenas de Oeste permanecem vívidas em minha memória até hoje!

Carlos Oliveira

Carlos Oliveira - Tecnologia da Companhia das Letras

O livro conta a história de um filósofo que, aos 30 anos de idade, sobe em uma montanha para viver sob total isolamento por 10 anos. Após este período, desce da montanha para ensinar aos homens o que descobriu durante seu isolamento: que a moral cristã não serve mais e que o homem agora está sozinho. “Assim falou Zaratustra: um livro para todos e para ninguém”  é considerado um pilar na formação do pensamento ocidental contemporâneo.

Bruna Lima

Bruna Lima - Marketing da Companhia das Letras

“Uma bolota molenga e feliz” é a segunda coletânea de quadrinhos da cartunista e ilustradora Sarah Andersen. Ela é recheada de tirinhas muito engraçadas e sagazes sobre os perrengues que passamos e sobre experiências pessoais da autora ligadas a ansiedade, trabalho, música, relacionamento e amizade. É um livrinho que faz você se identificar muito e dar muitas risadas do começo ao fim com a bolota, e os casos embaraçosos que a vida adulta nos proporciona.

Lilia M. Schwarcz

Lilia M. Schwarcz

O romance de Jeferson Tenório, "O avesso da pele", mexeu comigo. É fácil buscar no romance um traço autobiográfico e é o próprio autor quem conta como foi parado por várias batidas policiais ou teve uma relação difícil com o pai. Mas esse seria apenas um paralelo fácil. Uma espécie de biografismo que muitas vezes as críticas literárias de autores negros. Prefiro pensar que o racismo vira linguagem no livro, tem lugar fundamental na trama, e parece entremeado ao cotidiano, a exemplo do racismo estrutural que vivemos no Brasil. Impressiona a complexidade da família que tem papel central na obra. Vivem romances complicados em meio a um cotidiano por vezes simples, por vezes cheio de ambiguidades, por vezes marcado por dificuldades amorosas, falta de comunicação, problemas financeiros ou de relacionamento. A montagem do romance é muito engenhosa, nada linear; e lá está Henrique, um professor de escola pública, de certa maneira abandonado pelo pai e que sofre com o medo de imitar a figura paterna ausente. Henrique é também um mestre preocupado em conquistar seus alunos pela leitura — que é exatamente o que Jeferson faz conosco. É o filho Pedro que narra essa história com muito afeto, no sentido de estar “afetado” pelo pai e os vários pais, imaginados e reais, que surgem evocados nessa história. O avesso da pele é ela mesma. Cor social é a maneira como a sociedade brasileira produz raças e sistemas de subordinação. Henrique, porém, não se subordina. Traz na sua pele o orgulho de sua raça. Corra pra ler. (A capa, maravilhosa, é do artista Antônio Obá e do Alceu Nunes)

Julia Newlands

Julia Newlands - Imprensa da Companhia das Letras

Um dos livros da Sarah Andersen lançados pelo selo Seguinte, "A Louca dos Gatos" contém tirinhas feitas pela autora com um toque de fantasia e humor autodepreciativo. Uma narrativa atual de como uma geração de jovens adultos estão descobrindo como viver a tão falada vida adulta. Com seu gato preto e seu bicho de pelúcia falante, conseguimos acompanhar a vida dessa personagem que passa pelos mesmos questionamentos que muitos e nos mostra que mesmo não sendo fácil, ainda temos muita história para contar.